Agências de rating: uma máfia perigosa

De volta ao Criticamente Falando após uma semana de férias, deparo-me com um facto: as coisas acontecem sempre quando não tenho possibilidades de atualizar o blogue. Para retomar o ritmo crítico do projeto, vamos focar-nos nesta máfia que são as agências de rating, agências essas que têm a capacidade para tornar verdade uma qualquer mentira. Explicarei em seguida este raciocínio.

Quem me conhece sabe que não suporto imensas coisas. Uma delas são as sondagens políticas, que influenciam o voto da população e estimulam o voto por interesse (ou o votar contra determinada entidade), algo que considero estapafúrdio. Estas agências têm um poder bastante semelhante nos mercados. Passo a explicar seguidamente.

Uma das maiores críticas dirigidas às agências de rating resulta do potencial conflito de interesses nas suas atividades: são pagas pelos investidores para avaliar terceiros. O mercado da avaliação de risco de crédito é dominado (95%) por três agências norte-americanas: a Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s. Não existe uma agência de rating europeia, o que impede com que a europa tenha alguma arma de ataque face às gigantes dos outros países.

A ação destas agências tem implicações diretas nos Estados soberanos e nos investidores.

Na passada terça-feira, a Moody’s fez descer o nível de classificação da economia portuguesa para Ba2 (lixo). Por coincidência ou não, esta decisão surgiu 24 horas depois de a Comissão Europeia ter publicado os resultados da sua consulta pública sobre a regulação das agências de rating. O documento demonstra que governos, empresas e reguladores europeus estão de acordo: as agências de rating devem poder ser responsabilizadas em tribunal no caso de haver uma “negligência grosseira” ou “intenção dolosa”.

Remeto ao que disse inicialmente: as agências influenciam os investidores da mesma forma que as sondagens influenciam os eleitores. Desta forma, estamos perante uma organização mafiosa que irá sempre dizer a verdade. Porque, se Portugal não é capaz de pagar a dívida (como diz a mesma agência), uma classificação de “Lixo” dada por parte da mesma não ajuda a que tal se evite. Antes pelo contrário: leva a que os investidores repensem o seu investimento. Então, aquilo que até poderia ter sido mentira, passou a ser verdade.

Além das punições que poderão vir a ser levadas a cabo, a população está a revoltar-se, essencialmente a partir da Internet. Surgem já páginas contras as agências, existem agendados ataques de negação de serviço aos websites das mesmas, protestos ou até, inclusivamente, vídeos como o que mostramos seguidamente.

Esta revolta é um caso de orgulho nacional. Felizmente, a nossa sociedade está a mudar.


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