Greenpeace bloqueia Pingo Doce

Ativistas da Greenpeace bloquearam esta quarta-feira as entradas do supermercado Pingo Doce do Cais do Sodré, em Lisboa. A ação serviu para mobilizar os milhares de consumidores que passam no local a pressionar o grupo Jerónimo Martins para que assuma um papel ativo e garanta a sustentabilidade do peixe que vende. Por seu lado, a empresa que detém a cadeia de lojas garante que cumpre a lei.

De acordo com a Greenpeace, no terceiro Ranking dos Supermercados da Greenpeace, o grupo Jerónimo Martins foi novamente o pior classificado. No estudo publicado no início de Maio, a Greenpeace denuncia que das duas empresas portuguesas contempladas no estudo – Sonae e Jerónimo Martins -, o detentor das insígnias Pingo Doce e Feira Nova é o único que insiste em limitar a sua actuação ao cumprimento da lei. A falta de transparência, aliada à grande quantidade de espécies da Lista Vermelha da Greenpeace que se encontra à venda nestas superfícies e à ausência de um sistema de etiquetagem eficaz, reflete-se neste ranking.

Estes supermercados gastam milhões em publicidade, mas recusam-se a assumir a responsabilidade pelo pescado à venda nas suas lojas. A Greenpeace alerta que é fundamental que este retalhista altere a sua estratégia de negócio de modo a incorporar não só o lucro mas atender também aos interesses dos seus clientes em ter peixe no futuro.

 

A Jerónimo Martins afirma confiar na gestão da pesca da União Europeia. Mas com as quotas anuais para a Europa estabelecidas em média 48% acima das recomendações dos cientistas e mais de 80% dos stocks de peixe comerciais nas águas europeias considerados sobreexplorados, seguir as regulamentações definitivamente não basta.

“Estes supermercados gastam milhões em publicidade, mas recusam-se a assumir a responsabilidade pelo pescado à venda nas suas lojas”, acusa a coordenadora da campanha de oceanos da Greenpeace em Portugal, Lanka Korstink.

Com menos de 1% dos oceanos protegidos, a Greenpeace alerta que é urgente parar de compactuar com as práticas de pesca destrutivas e desperdicentes que já levaram ao colapso de 1/3 dos stocks de peixe comercial e agir para travar a perda continuada da vida marinha do planeta.

A Greenpeace defende que as grandes cadeias de distribuição alimentar têm o poder económico para influenciar positivamente a indústria da pesca, exigindo saber a origem do peixe que vendem, recusando peixe ilegal ou peixe proveniente de stocks considerados esgotados ou à beira do esgotamento e evitando os métodos de pesca mais destrutivos.

Seguindo a proposta da Greenpeace “Cria um spot divertido para os piores supermercados do ranking“, a equipa de marketing do Criticamente Falando anunciou que o blog irá, também, participar na campanha promovida pela organização.

 

Recursos web: Greenpeace Portugal, 3º Ranking Nacional de Supermercados


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