Um milhão de euros é quanto vai custar um mastro com cem metros de altura que a Câmara de Paredes vai construir para içar uma bandeira nacional. A verba está incluída no orçamento municipal e já provocou críticas da Oposição.

Deverá ser uma das maiores bandeiras portuguesas do Mundo a ser içada, quase tão alta como o monumento do Cristo-Rei, em Lisboa, e com mais 25 metros do que a Torre dos Clérigos, no Porto. O mastro com cem metros será maior que o Big Ben, em Londres, e a bandeira terá 25 por 16 metros.
A ideia é do presidente da Câmara, o social-democrata Celso Ferreira, que pretende associar-se às comemorações do centenário da República.
“Não é apenas uma bandeira, mas um monumento. O projecto foi proposto à Comissão Nacional das Comemorações do Centenário da República, que acolheu a ideia com grande entusiasmo”, explicou o autarca de Paredes.
O presidente da Comissão, Artur Santos Silva, disse, ontem, à Lusa, desconhecer os custos do projecto da Câmara, mas considera a iniciativa interessante.
Celso Ferreira admite que se trata de uma verba elevada, mas explica que o preço, incluído no orçamento municipal, abrange todo o arranjo urbanístico envolvente ao mastro. “São cerca de três mil metros quadrados de área envolvente, onde quer que seja construído esse monumento”, afirma, revelando que, embora ainda não esteja escolhido o local, “deverá ser num sítio alto”. Pelo tamanho do mastro, a bandeira içada em Paredes poderá ser avistada de Braga ou até de Aveiro.
“Este monumento permite georreferenciar o concelho de Paredes”, explica o autarca que espera cativar apoio financeiro em mecenas privados. Adianta ainda que o monumento será simples: “Terá apenas um pequeno motor eléctrico para içar a bandeira”.
A decisão, aprovada pela maioria PSD, já provocou reacções na Oposição, e o autarca acusa Artur Penedos, assessor do primeiro-ministro e vereador do PS no Executivo, de “oportunismo bacoco e populismo”. Artur Penedos diz que os socialistas “não podem aceitar que, num momento de crise económica e financeira, em que o Governo e todas as famílias estão empenhadas em poupar, se gaste tanto dinheiro numa despesa inadequada”. “O argumento estafado que este acontecimento é gerador de uma dinâmica internacional e ajuda a economia local não faz o menor sentido”, afirma.
“Se ao menos o mastro servisse para detectar fogos nas matas, ainda poderíamos questionar o sentido desse custo, mas não é o caso porque se trata de um projecto financiado com dinheiro público”, frisa, devolvendo a crítica ao autarca social-democrata: “Se há alguém que tem uma atitude bacoca e parola é o presidente da Câmara que revela um autoritarismo próprio do velho regime soviético. Vai gastar um milhão de euros para ficar na história e ter o seu nome ligado à maior bandeira nacional do país ou do Mundo”.
A cidade de Paredes já tem duas grandes bandeiras hasteadas: uma no edifício camarário e outra no Parque da Cidade. A terceira será içada no próximo dia 5 de Outubro, data em que se assinala o centenário da implantação da República Portuguesa.
Fonte: JN
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